sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Oblíquo

Euatropeloaspalavrasederrubo o tex to n     o         c              h              a               o

Ta tudo espalhado ta tudo confuso

Eneblina meus olhos, uma gota cai muda.
Seria esse o fim do poço? Seria esse o fim de tudo?
Não vejo a luz no fim do túnel...

E agora José?
Nem festa, nem povo, só noite e frio....
Que frio!
Sei bem da sua marcha, sei bem do seu vazio, também não sei do meu caminho.
Sei da minha falta: livros, blues, poesia, "baby I love you": que graça!
Graça? Que vontade de rir! Pra não chorar? Talvez...

Ao mesmo tempo é tanto não sei que travo as pernas, finco-me no chão e acabo por dormir.
Irônico não? Eu fico sonhando, imaginando, repensando outro fim, outro enfim, outro mim, sim MIM, porque agora ta tudo assim: mais pra lá do que pra cá, menos meu, menos eu, menos.

Mas o mim é tônico!
Quem sabe se eu pegar um bom impulso





Saí!

sábado, dezembro 11, 2010

Felicidade


Essa luz.
Não essa que filtro por meus olhos,
Mas essa que sinto em meu coração.
Essa luz me traz paz.
Na parede branca e ríspida eu vejo cores, vejo um filme peculiar, um infinito de pensamentos meus que de repente se projetaram...
Dá pra imaginar?
Nem eu sei o que aconteceu comigo, sou diferente hoje, não me sinto como mais ninguém...

E agora essa luz me traz calor, sinto energia, vontade, fogo.
Agora eu tenho fôlego, tenho um objetivo.
Eu quero vencer.

Essa luz.
Não sei de onde ela vem, ainda bem que me iluminou!

sábado, julho 03, 2010

Canto de juriti


Ô, menina, tira essa mágoa do peito que isso só faz machucar!
Ô, menina, alivia tuas costas que esse mundo é pesado demais pra carregar.
Diz, menina, que gosto tem essa lágrima que escorre por tua face?
É amarga, menina, mas a vida não precisa ser também...
Ora, cante, menina, e sufoca esses soluços que tu tens!
Por que tanta tristeza, menina? Que infelicidade infinita é essa?
Sorri, menina, não há melhor remédio que a alegria.
Reaja, menina, não fazer nada é pior do que ter rotina...
Ama, menina, se ama, não sei de outra cura pra dor de coração!
Levanta, menina! Esse teu sono é desculpa,
não é de sonho que a realidade se faz.
Fazer da realidade sonho, menina, isso é vencer!

sexta-feira, julho 02, 2010

Ao Excelentíssimo Sr Juiz Fulaninho Detal,

Sr juiz, Eu gostaria de me divorciar de Mim Mesma (Doravante “Comigo Mesma”). Entenda, Sr juiz, Eu não tenho competência suficiente para zelar por Meu bem estar, Minha integridade física e mental. Minhas excessivas preocupações fragmentaram Minha mente de tal modo, que sou incapaz de Me concentrar e sanar Minhas necessidades básicas em tempo ideal. Minha lista de desejos e vontades é absurda e extensa, e demanda muitos devaneios e atitudes fúteis para seu devido cumprimento, uma verdadeira calamidade em termos comportamentais socialmente aceitos, Sr juiz! Ademais, a convivência Comigo Mesma tem sido insuportável nesses últimos meses... A indecisão constante, as mudanças de humor repentinas, a má alimentação, o descaso com os amigos, o desrespeito para com familiares, os relacionamentos fracassados, a falsa motivação, a pouca disciplina para com os estudos e deveres a cumprir, a não assiduidade, a insônia incurável, a privação de lazer e divertimento. Enfim, uma lista irreverente, substancial e relevante para fundamentar Meu pedido de divórcio.

Gostaria de salientar que o processo se dará através de um único advogado escolhido por Mim, e que Eu estou perfeitamente de acordo.

E ainda destaco que maior parte dos bens tangíveis (corpóreos) já foram divididos, tendo em vista que encontram-se aos pares em Meu corpo. O coração e a vag***, por Mim, Eu fico com os dois. A boca e o nariz já foram devidamente destinados, este para Mim (Eu), e aquela fica Comigo. Talvez o fígado necessite de algum documento formal, pois será revezado Comigo conforme Minhas necessidades, bem como o aparelho digestório. O cérebro é o único item que necessita de intermédio, porque o lado direito quer ficar Comigo, o esquerdo com Ninguém, e Eu quero tudo.

Atenciosamente,

Eu Mesma

sábado, maio 29, 2010

Rancor?

Não... Essa palavra não existe no meu vocabulário!
Apesar da minha memória de elefante querer insistir em me massacrar com as piores lembranças possíveis. Elas chegam sorrateiras, como um veneno letal que consome tudo o que há de bom e sólido no meu coração, vão me apertando pelos pulmões, coçam minha garganta, e se esvaem por meus olhos. São memórias nojentas, podres, muito podres, o fedor delas é tão insuportável que uma vez emersas são difíceis de ignorar.

Ai, como me doem os ossos! Meu sustento, minha força de vontade parecem frágeis demais para tanto peso. Ai, como me amarga a alma! Saber que tais elementos pútrefes decantam em mim...
Rancor?
Não... Não consigo me livrar desse aí!

Mas quem sabe algum dia...